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A Capes não financia ciência. Ela financia instituições







Há algum tempo publiquei um conjunto de críticas sobre o caráter fechado e autorreferente do sistema acadêmico brasileiro. É frustrante — e francamente desanimador — constatar que o sistema não apenas se repete, como se aprofunda nos mesmos vícios.


Recentemente, a Capes decidiu “intervir” em um dos problemas mais graves da publicação científica contemporânea: as Taxas de Processamento de Artigos (APCs), valores exorbitantes cobrados por grandes editoras para que um artigo seja publicado em acesso aberto. À primeira vista, a medida pode parecer progressista. Na prática, é o oposto.

O aspecto mais bizarro é o contexto internacional:há anos, pesquisadores no mundo inteiro tentam reduzir a dependência dessas editoras, propor alternativas abertas, criar repositórios independentes e, em alguns casos, boicotar explicitamente a Elsevier e congêneres por práticas predatórias. Enquanto parte da comunidade científica tenta conter a enchente, o Brasil decide alimentar o tigre.


Com dinheiro público.


A Capes optou por firmar acordos que transferem centenas de milhões de reais por ano para grandes casas editoriais internacionais — empresas que:

  • não pagam revisores,

  • não pagam autores,

  • não financiam a pesquisa,

  • e ainda assim operam com margens de lucro comparáveis às das big techs.


Isso não é correção de distorção.É subsídio estatal a um oligopólio privado.

O problema se agrava porque esses acordos não cobrem a ciência brasileira como um todo. Eles se aplicam quase exclusivamente a grandes universidades e instituições centrais. Pesquisadores independentes, doutores fora do sistema, cientistas periféricos ou dissidentes institucionais continuam excluídos — agora com o selo oficial de que essa exclusão é política pública.


O efeito é duplo e perverso:

  1. Centraliza ainda mais a pesquisa dentro das universidades já dominantes.

  2. Fortalece economicamente as editoras que criaram o problema dos APCs em primeiro lugar.


Em vez de incentivar alternativas estruturais — como repositórios públicos fortes, revistas nacionais de qualidade, novos modelos de validação científica ou financiamento direto à publicação sem intermediários comerciais — a Capes reforça exatamente o sistema que deveria ser questionado.


Nesse sentido, a Capes se comporta como um dinossauro institucional: grande, pesado, lento — e completamente alheio ao ecossistema ao redor. Enquanto pesquisadores tentam construir diques improvisados para conter a água, ela atravessa o rio destruindo tudo, convencida de que está “organizando o fluxo”.

Não está.


Está institucionalizando a desigualdade, naturalizando a exclusão e comprando paz política com editoras internacionais às custas da autonomia científica do país.

O mais triste não é o erro em si.É perceber que ele é perfeitamente coerente com a lógica do sistema.


A Capes não parece incapaz de imaginar alternativas. Ela parece desinteressada em qualquer alternativa que não passe pelo controle institucional.

E isso diz muito menos sobre ciência —e muito mais sobre poder.

Existe uma narrativa confortável — e politicamente conveniente — segundo a qual a Capes “financia a ciência brasileira”. Essa frase é repetida como mantra em discursos oficiais, relatórios institucionais e editoriais benevolentes. Mas ela é factual e estruturalmente falsa.

A Capes não financia ciência.A Capes financia instituições — e, ao fazê-lo, decide quem pode existir como cientista legítimo no país.


A recente reportagem da Folha de S.Paulo sobre os acordos bilionários da Capes com Elsevier, Springer Nature e ACM é um estudo de caso exemplar dessa lógica.



O caso: acesso aberto… para poucos


Segundo a reportagem, a Capes firmou acordos transformativos no valor de R$ 1 bilhão que permitirão a leitura e a publicação de artigos científicos sem custos de APC em grandes editoras internacionais.

O detalhe crucial — frequentemente apresentado como nota de rodapé, quando deveria estar no título — é este:

O benefício vale apenas para pesquisadores afiliados às 452 instituições que integram o Portal de Periódicos da Capes.

Não para “pesquisadores brasileiros”.Não para “cientistas”.Não para “quem produz conhecimento”.


👉 Para afiliados institucionais.


A própria Springer Nature afirma que o acordo permite apoiar melhor “os pesquisadores brasileiros afiliados [às instituições participantes]” Capes_ acordos permitem publica…. A exclusão é explícita, não acidental.


O mecanismo real: financiamento por afiliação, não por mérito


O modelo é simples — e profundamente político:

  1. A Capes negocia com grandes editoras internacionais.

  2. O Estado brasileiro paga valores bilionários.

  3. O direito de publicar sem custos é concedido não a indivíduos, mas a instituições credenciadas.

  4. O pesquisador só acessa o benefício se:

    • tiver vínculo formal,

    • e-mail institucional,

    • reconhecimento administrativo.


Resultado:

  • A afiliação precede o mérito.

  • A instituição precede a ideia.

  • O endereço institucional vale mais que o argumento científico.

  • E melhor de tudo: a ciência brasileira fica cara por falta de competição leal. O pesquisador institucional não precisa competir com aquele que trabalha fora, sem a influência do sistema. Muitos deixam o sistema para poderem ser livres, pensadores independentes, mas eles são excluídos do sistema completamente;


Isso não é neutralidade técnica. É arquitetura de exclusão.



O ciclo fechado que a Capes reforça


A reportagem ilustra com precisão o ciclo autorreforçado:

  • Grandes universidades → acesso gratuito à publicação

  • Acesso gratuito → mais artigos em revistas centrais

  • Mais artigos → melhores métricas

  • Melhores métricas → mais financiamento

  • Mais financiamento → manutenção do status de “instituição de excelência”

Enquanto isso:

  • Pesquisadores independentes,

  • doutores fora do sistema,

  • cientistas sem vínculo formal,

  • aposentados produtivos,

  • dissidentes institucionais,


👉 ficam fora do circuito de legitimidade científica.


Não porque sua ciência seja ruim. Mas porque não pertencem à instituição certa.


A falácia da “qualidade” como justificativa


O argumento defensivo é conhecido:

“É preciso garantir qualidade e controle.”

Mas a reportagem deixa claro um ponto incômodo:✔️ Revisores, editores científicos e pareceristas não são pagos.✔️ O trabalho científico central é voluntário.✔️ O custo é majoritariamente administrativo e comercial.


Logo, a exclusão não protege a ciência.Ela protege o modelo institucional.


A Capes não está financiando melhor revisão, melhor método ou melhor ciência aberta. Está financiando o acesso privilegiado de certas instituições a selos editoriais internacionais.


Universidades como guardiãs oficiais do saber


Na prática, a política da Capes transforma universidades em:

  • mosteiros modernos do conhecimento

  • guardiãs autorizadas da ciência legítima

  • intermediárias obrigatórias entre o pesquisador e o reconhecimento


Tudo que está fora dessas muralhas:

  • não é refutado,

  • não é debatido,

  • é ignorado.

E ignorar é mais eficaz do que censurar.


O que a reportagem revela — mesmo sem dizer explicitamente


A matéria da Folha é correta nos fatos, mas o subtexto é ainda mais grave:

O Estado brasileiro está usando dinheiro público para consolidar um oligopólio editorial internacional, mediado por instituições acadêmicas centrais, enquanto exclui estruturalmente a produção científica fora desse eixo.

Isso reforça uma tese que apresentei nesse blog: nossas universidades viraram fábricas de papel. Basicamente, eles são máquinas que produzem papel de alta qualidade para serem impressos e nunca lidos, e nunca virarem ciência. O Brasil já é o país que mais produz na América do Sul. Recentemente, a USP entrou para um ranking das universidades que mais publicam no mundo. E nossa solução é: vamos publicar mais, manter o privilégio das grandes universidades.


Isso não é democratização do acesso aberto. É acesso aberto condicionado à obediência institucional.


Como surgiram as revistas científicas — e por que hoje elas traem a própria origem


Vale a pena voltar alguns séculos no tempo, porque a história não é neutra — ela é profundamente irônica.


1. Antes das revistas: ciência como clube fechado


No início da ciência moderna, o conhecimento era produzido e circulava em grupos fechados:

  • academias,

  • sociedades científicas,

  • correspondência privada entre “iguais”.

Esses grupos funcionavam como clubinhos de elite. O acesso não dependia apenas de ideias, mas de:

  • posição social,

  • patronagem,

  • pertencimento.

A ciência existia, mas não era pública. Era restrita.


2. O surgimento dos jornais: uma ruptura política, não técnica


As primeiras revistas científicas (como Philosophical Transactions, séc. XVII) não surgiram para gerar lucro. Elas surgiram para quebrar monopólios de conhecimento.

Os jornais científicos:

  • tornaram resultados públicos,

  • registraram prioridade intelectual,

  • permitiram crítica aberta,

  • enfraqueceram o poder exclusivo das sociedades fechadas.

👉 Foi um movimento emancipatório.

Tão eficaz que forçou as próprias sociedades elitistas a:

  • criar seus próprios jornais,

  • abrir parcialmente o acesso,

  • competir pela circulação de ideias.

Os jornais forçaram a abertura da ciência.

3. A inversão histórica: quando o antídoto vira o veneno

Avance para o século XXI.

Hoje, ocorre exatamente o oposto:

  • as revistas voltaram a concentrar poder,

  • os grandes grupos editoriais substituíram as antigas sociedades,

  • o acesso deixou de ser epistemológico e voltou a ser econômico e institucional.

O que antes combatia clubes fechados se transformou no novo clube fechado.


O caso Nature: fragmentação estratégica do prestígio


Como exemplo, recentemente analisei um artigo que usava linguagem religiosa em um artigo científico. Grupos cristãos espalharam o artigo usando sites que replicam a aparência da Nature. Na verdade, depois de verificar, é sim da Nature. Não é a Nature principal, mas pertence ao mesmo grupo. O que a Nature parece fazer, e a história se repete: vendo a enxurrada de alternativas mais baratas, como os preprints, eles começaram a ter jornais que se assemelham aos preprints. Eu uso plataformas de preprints. Essas plataformas, sem cobrar, oferecem serviços bem melhor. Alguns já anunciaram o uso da IA, algo que responde ao problema de revisão e incorpora a tecnologia mais recente a nosso favor.


À primeira vista, parecia uma fraude: sites imitando o visual da Nature.

Mas não era fraude 100%: era fraude o artigo em português, mas a base era um artigo da Nature mesmo, mas de outro portifólio.


Era Nature — do grupo Nature.


Aqui está o ponto central:

  • Nature (a revista-mãe) mantém altíssimo prestígio e seletividade.

  • O grupo cria dezenas (ou centenas) de revistas “satélite”:

    • visual semelhante,

    • marca compartilhada,

    • critérios muito mais frouxos,

    • APCs cobradas, e altíssimas mesmo para revistas satélites.


Isso permite ao grupo:

  • preservar o prestígio simbólico da Nature,

  • monetizar em escala industrial artigos de qualidade variável.

  • Somente o nome Nature, mesmo que seja um jornal satélite, crie um sinal de prestígio falso. A revista não tem o mesmo rigor, mas recebe o selo Nature;


👉 Prestígio em cima. Volume embaixo. Receita em todos os níveis.



Preprints: a ameaça real ao modelo


O surgimento de preprints foi a maior ameaça estrutural ao oligopólio editorial em décadas:

  • custo quase zero,

  • velocidade,

  • acesso aberto,

  • circulação global.

  • E, melhor de tudo: serviço bem melhor do que das revistas pagas;


Resposta das editoras? Não foi combater — foi imitar.


Elas criaram:

  • mega-journals,

  • revistas com revisão mínima,

  • formatos que se parecem com preprints,👉 mas cobrando para publicar.

Você descreveu corretamente:

“Artigos que parecem preprints — mas pagos.”

Isso não é acidente editorial.É estratégia econômica consciente.


Elsevier: quando o interesse econômico supera o filtro científico


Recentemente, eu analisei alguns artigos da Elsevier, os artigos parecem preprints, mas pagos. Ou seja, claramente, eles estão deixando o interesse econômico ficar acima da qualidade dos artigos. Agora, vem a CAPES e joga mais carne ao tigre.


A observação sobre artigos da Elsevier é precisa:

  • formato superficial,

  • revisão muitas vezes protocolar,

  • foco em volume,

  • APCs como principal fonte de receita.

Aqui, a lógica se inverte:

  • a revista não seleciona os melhores artigos,

  • seleciona os que passam e pagam.


A qualidade deixa de ser critério primário. Passa a ser risco reputacional calculado.


E então entra a Capes: o erro histórico


Neste cenário já problemático, a Capes decide intervir.

Mas em vez de:

  • fortalecer preprints,

  • financiar revistas públicas abertas,

  • ampliar modelos nacionais sem APC,

  • incluir pesquisadores independentes,


ela decide anda na contramão e jogar bistecas para o tigre gordo:👉 injetar dinheiro público diretamente nos maiores predadores do sistema.


“Jogar mais carne ao tigre” é uma metáfora precisa.


Enquanto o mundo tenta:

  • reduzir dependência,

  • questionar APCs,

  • criar alternativas,

o Brasil:

  • legitima o modelo,

  • fortalece os oligopólios,

  • centraliza ainda mais o acesso dentro das universidades.


A ironia final da história


As revistas científicas surgiram para:

abrir a ciência e quebrar monopólios

Hoje, elas:

fecham a ciência e vendem acesso à legitimidade

E a Capes, ao invés de lembrar a história, atua como se não tivesse aprendido nada com ela.


Conclusão

O que estamos vendo não é progresso.É regressão histórica.

A ciência saiu dos clubes,passou pelos jornais,e agora corre o risco de voltar a ser um sistema de licença controlada, mediado por:

  • marcas editoriais,

  • afiliações institucionais,

  • pedágios financeiros.

Quando revistas se tornam o que combatiam,e Estados passam a financiá-las sem crítica,não estamos fortalecendo a ciência.

Estamos financiando o esquecimento de por que ela nasceu.


Por que é um erro excluir cientistas “menores”?



Excluir pesquisadores fora das grandes universidades não é apenas injusto. É epistemicamente irracional, economicamente ineficiente e cientificamente autodestrutivo.

E o erro começa na própria definição implícita de quem “conta” como cientista.


Publicar sem apoio institucional deveria ser exceção virtuosa — não anomalia

Imagine a cena que você descreveu — porque ela é reveladora:

Uma pessoa consegue publicar em uma revista de impacto sem vínculo institucional, passando por revisão por pares.

Isso não deveria levantar suspeita. Deveria levantar aplausos.

Esse pesquisador:

  • competiu em condições desiguais,

  • enfrentou filtros editoriais rigorosos,

  • passou por avaliação anônima,

  • e convenceu revisores sem o selo institucional como muleta.


Se isso não é evidência de qualidade, o que é?


Excluir essa pessoa não protege a ciência.Pune justamente quem demonstrou capacidade científica no grau máximo de dificuldade.

2. “Fora da universidade vai virar bagunça” — argumento fraco e mal formulado

Esse é o contra-argumento padrão:

“Sem universidades, qualquer um publica qualquer coisa.”

Isso revela uma confusão conceitual grave.

A filtragem já existe

  • O sistema de revisão por pares é cego à afiliação (ou deveria ser).

  • O artigo é aceito ou rejeitado com base em:

    • método,

    • dados,

    • argumentação,

    • coerência interna.

Se alguém passa pelo peer review:👉 por definição, produziu algo que especialistas consideraram válido.

Se isso não for suficiente, então:

  • ou o peer review não funciona (e todo o sistema é uma farsa),

  • ou o problema não é qualidade, mas controle.

Não dá para sustentar as duas coisas ao mesmo tempo.


3. As universidades já concentram o dinheiro da pesquisa — agora concentram a publicação


Aqui está o ponto estrutural:

  • Universidades já monopolizam:

    • bolsas,

    • infraestrutura,

    • editais,

    • financiamento público.

  • Agora, com os acordos da Capes, passam a monopolizar também:

    • o direito de publicar sem pagar.

Isso cria um sistema fechado em duas camadas:

  1. Só pesquisa quem está dentro.

  2. Só publica sem custo quem está dentro.

  3. Você faz toda uma pesquisa do bolso, e tem que pagar. Para justificar não pagar, eu disse ao jornal "eu pesquisei sozinho, paguei por tudo". E pronto, eles me deixaram passar. Diz isso mais de uma vez. Agora vem o Brasil e faz o oposto: "problema seu, deveria estar dentro de uma universidades";


Isso não é ciência aberta. É fechamento institucional com verniz progressista. Isso é um sistema da sociedade brasileira, a desigualdade em tudo, entra dentro das universidades;


4. O exemplo desmonta a lógica da Capes

O caso é particularmente incômodo para o discurso oficial:

  • Você publicou.

  • Passou por revisão.

  • Não pagou APC.

  • A revista reconheceu o valor do trabalho independentemente da sua posição institucional.


Ou seja:👉 o sistema já sabe identificar qualidade fora das universidades.


A CAPES poderia reconhecer essas revistas, e injetar nelas, seja nacional, seja internacional. Mas a CAPES faz o oposto: ele pega o tigre mais gordo, e dá mais pernil para ele.


A Capes, ao contrário, faz o oposto:

  • exclui a priori quem não pertence à instituição certa,

  • antes mesmo de qualquer avaliação científica.


Isso é anticientífico por princípio.


5. O paradoxo das revistas nacionais — e a lição ignorada

A própria reportagem menciona o financiamento de revistas nacionais. E aqui surge a contradição:

  • A maioria das revistas brasileiras não cobra APC.

  • Muitas operam com:

    • financiamento público,

    • universidades,

    • trabalho voluntário.

  • O SciELO é reconhecido internacionalmente como modelo pioneiro de acesso aberto.


Ou seja:👉 o Brasil já sabe fazer publicação científica sem pedágio corporativo.


Mas, em vez de:

  • expandir esse modelo,

  • torná-lo internacional,

  • financiar diretamente a publicação aberta,

a Capes prefere exportar dinheiro público para oligopólios estrangeiros.


Vale nota que esse dinheiro poderia ir para bolsa, melhorar as bolsas, ou mesmo digamos ajudar pesquisadores fora das universidades. Mas não, alguém na CAPES acha que tigre gordo merece mais carne por ser gordo.


6. O exemplo chinês — pragmatismo, não ideologia



Um ponto crucial que raramente é mencionado sem caricatura:

  • Muitas revistas chinesas:

    • são financiadas pelo Estado,

    • não cobram APC,

    • são abertas a autores estrangeiros,

    • servem como instrumentos de projeção científica nacional.


Isso não é “controle ideológico”. É estratégia científica de longo prazo.

O Brasil poderia:

  • fortalecer revistas nacionais,

  • internacionalizá-las,

  • atrair bons artigos,

  • reduzir dependência de Elsevier e Springer.

Mas isso exigiria:👉 abrir mão do fetiche pelo prestígio importado.

Conclusão: excluir cientistas menores é um erro sistêmico

Excluir pesquisadores fora das grandes universidades:

  • não aumenta a qualidade,

  • não protege o sistema,

  • não combate má ciência,

  • não reduz custos.

O que faz é:

  • reduzir diversidade intelectual,

  • reforçar hierarquias artificiais,

  • confundir afiliação com mérito,

  • e transformar publicação científica em instrumento de controle institucional.

A ciência não perde quando ideias ruins são filtradas.Ela perde quando boas ideias não entram no filtro.

E um sistema que só reconhece ciência depois que ela recebe autorização institucionalnão é um sistema científico.

É um sistema de licenciamento do saber.






Conclusão: a ciência não é financiada — ela é autorizada


A frase precisa ser dita com clareza, mesmo que incomode:

A Capes não financia ciência.Ela financia instituições — e concede a elas o monopólio da legitimidade científica.

Enquanto isso for verdade:

  • ciência independente será marginal,

  • inovação fora do eixo será invisível,

  • e o discurso de “mérito” continuará sendo uma fachada técnica para uma decisão política.

A pergunta final não é se o sistema funciona. Ele funciona — para quem está dentro.

A pergunta real é:👉 a quem interessa que a ciência continue sendo um clube fechado?





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